Cidade saiu de 135 casos em 2023 para 291 em 2025; avanço de 115,6% coloca motoristas em alerta e expõe um dos indicadores mais preocupantes da segurança pública no município
por Redação
14 de junho de 2026, às 10h36
Itapevi vive um crescimento alarmante nos casos de roubo de veículos. Dados de segurança pública mostram que o número de ocorrências mais do que dobrou em apenas dois anos, saltando de 135 registros em 2023 para 291 em 2025.
A alta é de aproximadamente 115,6% no período. Em números absolutos, foram 156 roubos de veículos a mais em comparação com 2023. O avanço coloca o município em situação de alerta e transforma esse tipo de crime em uma das principais preocupações da segurança pública local.
O dado é ainda mais grave porque roubo de veículo não é apenas perda patrimonial. Diferente do furto, o roubo envolve ameaça, violência ou intimidação direta contra a vítima. Na prática, significa que motoristas e motociclistas podem ser abordados à força, rendidos na rua, ameaçados e obrigados a entregar o veículo.
Em uma cidade com grande circulação diária de trabalhadores, estudantes, entregadores, motoristas de aplicativo e famílias que dependem do carro ou da moto para se deslocar, o avanço desse tipo de crime atinge diretamente a rotina da população.
O crescimento em Itapevi chama atenção porque ocorre em sentido oposto ao cenário divulgado pelo Governo do Estado. Enquanto São Paulo registrou queda nos roubos em geral em 2025, Itapevi viu o roubo de veículos avançar de forma brusca nos últimos dois anos.
Esse contraste torna o caso ainda mais preocupante. Se o Estado apresenta redução em indicadores de roubo, mas Itapevi registra alta expressiva no roubo de veículos, o problema local precisa ser tratado como prioridade.
Os números indicam que a cidade enfrenta uma dinâmica própria e mais grave nesse tipo de crime. Não se trata de uma oscilação pequena ou de variação estatística irrelevante. O salto de 135 para 291 ocorrências mostra uma escalada concreta, com impacto direto sobre a sensação de segurança dos moradores.
O roubo de veículos costuma estar associado a abordagens rápidas, muitas vezes feitas por criminosos armados ou em grupo. As vítimas geralmente são surpreendidas em momentos de vulnerabilidade, como entrada e saída de casa, deslocamento para o trabalho, paradas em vias de menor movimento, semáforos, estacionamentos ou trechos com pouca iluminação.
Em Itapevi, o avanço dos casos aumenta o medo de quem precisa circular pela cidade todos os dias. O carro, a moto ou o veículo de trabalho deixam de ser apenas um meio de transporte e passam a representar também um risco.
Para quem depende do veículo para trabalhar, o prejuízo pode ser ainda maior. Motoristas de aplicativo, entregadores, comerciantes, prestadores de serviço e trabalhadores autônomos podem perder, em uma única ação criminosa, a principal ferramenta de sustento da família.
Além do prejuízo financeiro, há o trauma. Muitas vítimas de roubo relatam medo de voltar a dirigir, mudança de rotina e sensação permanente de insegurança. O crime deixa marcas que vão além do boletim de ocorrência.
Localização de Itapevi pode favorecer fuga
Itapevi está inserida em uma região de forte conexão com outros municípios da Grande São Paulo. A cidade tem ligação com corredores de deslocamento para Barueri, Jandira, Cotia, Carapicuíba, Osasco, Santana de Parnaíba e capital paulista.
Essa característica pode facilitar a ação de criminosos, principalmente quando há rotas rápidas de fuga e possibilidade de deslocamento para áreas vizinhas. Em crimes contra veículos, a velocidade entre abordagem, fuga, ocultação e possível receptação é um fator importante.
Embora os dados não apontem, por si só, quem pratica os crimes ou quais grupos estão por trás das ocorrências, o crescimento expressivo exige investigação qualificada e ação integrada entre as forças de segurança.
O combate ao roubo de veículos não depende apenas de patrulhamento nas ruas. Também exige inteligência policial, monitoramento por câmeras, leitura de placas, combate a desmanches ilegais, fiscalização de receptadores e integração entre municípios.
Quando um indicador mais do que dobra em dois anos, o problema deixa de ser pontual. A alta de 115,6% no roubo de veículos em Itapevi expõe uma falha no controle desse tipo de crime e pressiona as autoridades a apresentarem respostas mais efetivas.
A população precisa saber quais medidas estão sendo adotadas para enfrentar a escalada. Também é necessário identificar quais regiões concentram mais ocorrências, quais horários são mais críticos e se há relação com quadrilhas especializadas em roubo, receptação ou desmanche.
Sem esse diagnóstico, o risco é que o problema continue crescendo e se espalhe por diferentes bairros da cidade.
O aumento também pressiona o debate sobre segurança pública municipal. Embora a responsabilidade principal pela investigação e policiamento seja do Estado, o município pode contribuir com Guarda Civil Municipal, câmeras de monitoramento, iluminação pública, zeladoria urbana, fiscalização de áreas vulneráveis e integração com as polícias Militar e Civil.
O avanço dos roubos de veículos reforça a sensação de insegurança já relatada por muitos moradores de Itapevi. A preocupação não está apenas nos números, mas no impacto prático que esse tipo de crime tem na vida da cidade.
Quando motoristas passam a evitar determinados trajetos, quando trabalhadores têm medo de sair ou voltar para casa em horários específicos e quando famílias alteram a rotina por receio de abordagem criminosa, o problema deixa de ser apenas policial e passa a afetar a liberdade de circulação da população.
Os dados mostram que Itapevi precisa de atenção urgente nesse indicador. A cidade não pode tratar como normal um salto de 135 para 291 roubos de veículos em apenas dois anos.
A escalada exige resposta rápida, planejamento e transparência. Mais policiamento em áreas críticas, investimento em tecnologia, ações contra receptação e integração regional são caminhos necessários para impedir que o roubo de veículos continue avançando.
Crime exige enfrentamento direto
O roubo de veículos é um crime que movimenta uma cadeia criminosa. Em muitos casos, veículos roubados podem ser usados em outros crimes, levados para desmanches, revendidos de forma irregular ou utilizados em ações criminosas em cidades vizinhas.
Por isso, combater esse tipo de ocorrência significa também atingir estruturas que alimentam outros delitos. A redução depende de investigação, prisão de envolvidos, recuperação de veículos e fechamento de rotas usadas por criminosos.
Itapevi chegou a um ponto de alerta. O aumento drástico dos roubos de veículos mostra que o problema já não pode ser tratado como caso isolado. A cidade precisa de resposta firme antes que o medo se torne parte permanente da rotina dos moradores.
