Itapevi acende alerta e aparece entre as cidades mais violentas e perigosas da Grande SP

Dados de segurança pública mostram que município teve taxa de 8,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, acima da média estadual; roubo de veículos também dobrou em dois anos

por Redação
14 de junho de 2026, às 10h08

Itapevi voltou a acender o alerta na área da segurança pública. Dados recentes com base em registros da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo colocam o município entre as cidades mais preocupantes da Região Metropolitana no recorte de violência letal, especialmente quando a comparação leva em conta a taxa de homicídios por 100 mil habitantes.

Em 2025, Itapevi registrou 20 homicídios dolosos, o que representa uma taxa de 8,2 mortes por 100 mil habitantes. O índice ficou acima da média do Estado de São Paulo, estimada em 5,2 homicídios por 100 mil habitantes no mesmo período.

O número também coloca Itapevi em posição de destaque negativo entre municípios de grande porte da Grande São Paulo. Em levantamento que considera cidades com mais de 100 mil habitantes, Itapevi aparece atrás apenas de Itapecerica da Serra, que registrou taxa de 8,6 homicídios por 100 mil habitantes, e à frente de municípios como Franco da Rocha, Poá, Suzano, Embu das Artes, Itaquaquecetuba, Carapicuíba, Cotia e Osasco.

Na prática, os dados mostram que Itapevi tem uma taxa de homicídios superior à de cidades vizinhas e próximas do eixo oeste metropolitano, como Carapicuíba, Cotia, Osasco, Jandira e Santana de Parnaíba. O recorte reforça uma preocupação que já aparece no cotidiano da população: a sensação de insegurança não se limita a casos isolados, mas encontra respaldo em indicadores oficiais.

A taxa de homicídios é considerada um dos principais indicadores para medir a violência de uma cidade, porque trabalha com crimes contra a vida e permite comparar municípios de tamanhos diferentes. Por isso, o dado por 100 mil habitantes costuma ser mais preciso do que o número absoluto de ocorrências.

No caso de Itapevi, os 20 homicídios registrados em 2025 representam um patamar considerado alto para o padrão paulista. Embora o município esteja distante dos índices de regiões mais violentas do país, o resultado chama atenção dentro do contexto da Grande São Paulo e principalmente quando comparado a cidades próximas.

A série recente mostra estabilidade em um nível preocupante. Itapevi teve 18 homicídios em 2023, 21 em 2024 e 20 em 2025. Ou seja, não houve explosão repentina, mas também não houve uma melhora expressiva. O município permanece em um patamar que exige resposta mais firme do poder público.

Esse cenário contrasta com o movimento geral do Estado de São Paulo, que registrou queda em homicídios, roubos, latrocínios e roubos de veículos em 2025. Enquanto o Estado comemora redução nos principais indicadores, Itapevi segue com uma taxa de homicídios acima da média paulista.

Roubo de veículos dobra em dois anos

Além da violência letal, outro dado chama atenção: o roubo de veículos. Em Itapevi, esse tipo de crime passou de 135 registros em 2023 para 291 em 2025, alta de aproximadamente 116% em dois anos.

O avanço é relevante porque vai na direção oposta da tendência estadual. Em São Paulo, o roubo de veículos caiu em 2025, segundo balanço divulgado pelo Governo do Estado. Em Itapevi, porém, o indicador cresceu de forma consistente.

O dado ajuda a explicar parte da preocupação de moradores que circulam de carro ou moto pela cidade, especialmente em áreas de acesso a rodovias e corredores de deslocamento regional. A localização de Itapevi, próxima a importantes eixos de ligação com a capital, Barueri, Cotia, Jandira e interior paulista, pode facilitar a fuga e a circulação de veículos roubados.

Embora a análise dos números não permita afirmar uma causa única para o aumento, o crescimento do roubo de veículos indica a necessidade de reforço em policiamento ostensivo, inteligência, monitoramento por câmeras, leitura de placas e integração entre forças de segurança da região.

Furtos ainda lideram os registros

Apesar do alerta nos crimes mais graves, o tipo de ocorrência mais comum em Itapevi continua sendo o furto. Em 2025, foram 1.665 registros desse tipo. Na sequência aparecem lesão corporal dolosa, com 857 ocorrências, e roubos em geral, com 705 registros.

Esses dados mostram que o problema da segurança pública em Itapevi não está concentrado apenas nos crimes contra a vida. A cidade também enfrenta criminalidade cotidiana, marcada por furtos, roubos e agressões, situações que impactam diretamente a sensação de segurança da população.

Entre julho de 2025 e junho de 2026, Itapevi registrou 3.655 ocorrências criminais, segundo levantamento com base em dados oficiais. A taxa geral foi de 1.504 ocorrências por 100 mil habitantes, abaixo da média estadual, estimada em 2.013 por 100 mil habitantes.

Esse ponto é importante: Itapevi não lidera a criminalidade geral do Estado. O alerta mais forte está concentrado em indicadores específicos, principalmente homicídios e roubo de veículos. São esses recortes que colocam o município em posição sensível dentro da Grande São Paulo.

A comparação com municípios próximos reforça o tamanho do desafio. Enquanto Itapevi registrou taxa de 8,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, Carapicuíba ficou em 5,8, Cotia em 5,2, Osasco em 5,1, Santana de Parnaíba em 1,8 e Jandira em 0,8.

A diferença é significativa porque essas cidades fazem parte da mesma dinâmica regional, com circulação diária de trabalhadores, estudantes, veículos, comércio e transporte público. Mesmo inseridas em um mesmo eixo metropolitano, os indicadores mostram realidades distintas de segurança.

Itapevi, nesse contexto, aparece como uma das cidades que mais exigem atenção das autoridades no oeste da Grande São Paulo. A taxa de homicídios coloca o município em um grupo de maior risco dentro da Região Metropolitana, ao lado de cidades como Itapecerica da Serra, Franco da Rocha, Suzano, Embu das Artes e Itaquaquecetuba.

Os números reforçam a necessidade de colocar a segurança pública no centro do debate municipal. Embora a responsabilidade principal pela segurança seja do Estado, os municípios também podem atuar com Guarda Civil Municipal, videomonitoramento, iluminação pública, zeladoria urbana, fiscalização, integração com as polícias e políticas de prevenção.

Em cidades de crescimento acelerado, como Itapevi, a segurança não depende apenas da presença policial. Também passa por planejamento urbano, ocupação de espaços públicos, combate a pontos de abandono, investimento em tecnologia, políticas sociais e ações voltadas à juventude.

O avanço do roubo de veículos, por exemplo, exige inteligência regional e integração entre municípios vizinhos. Já a taxa de homicídios demanda investigação qualificada, presença territorial e enfrentamento de dinâmicas criminais que podem variar de bairro para bairro.

Os dados não autorizam dizer que Itapevi é a cidade mais perigosa de São Paulo. Também não indicam que todos os crimes estão em alta. Mas mostram, com clareza, que o município está entre os mais preocupantes da Grande São Paulo quando o assunto é violência letal.

A cidade tem taxa de homicídios acima da média estadual, aparece entre os primeiros lugares no ranking de municípios grandes da Região Metropolitana e viu o roubo de veículos dobrar em dois anos.

O cenário exige atenção do poder público e acompanhamento constante da população. Mais do que alimentar sensação de medo, os números ajudam a qualificar o debate: Itapevi precisa tratar a segurança como prioridade, especialmente nos indicadores que mais afetam a vida e o patrimônio dos moradores.

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