Pesquisa Ipsos mostra que violência, corrupção e desigualdade aparecem no centro das inquietações nacionais a cinco meses da eleição presidencial

por Redação
1º de maio de 2026, 17h
A preocupação dos brasileiros com crime e violência segue no topo da lista dos principais medos nacionais em 2026. A cinco meses das eleições presidenciais, uma pesquisa da Ipsos aponta que 47% dos entrevistados no Brasil citam a criminalidade como o tema que mais causa ansiedade no país. Em seguida aparecem corrupção política e financeira, mencionada por 39%, e pobreza e desigualdade social, apontadas por 36%.
O resultado mostra um cenário de forte pressão sobre a agenda pública em um ano eleitoral. A segurança aparece como o assunto de maior impacto direto na percepção dos brasileiros, principalmente diante da expansão de facções criminosas, da presença do crime organizado fora dos grandes centros e da sensação de que a violência se aproximou da rotina de famílias em diferentes regiões do país.
A pesquisa faz parte do levantamento Ipsos What Worries the World, realizado em 29 países. No caso brasileiro, o crime e a violência aparecem acima de temas econômicos globais que, em outros países, lideram o ranking de preocupação. Enquanto no mundo a inflação ocupa a primeira posição entre os maiores temores, no Brasil o assunto que mais pesa é a insegurança.
Esse dado ajuda a explicar por que o debate sobre segurança pública deve ganhar ainda mais força na disputa eleitoral. O avanço do crime organizado deixou de ser visto apenas como um problema restrito às capitais ou a áreas dominadas por facções. Estudos recentes indicam que grupos criminosos ampliaram sua atuação para o interior do país, em busca de novas rotas, mercados e áreas de influência.
O Atlas da Violência 2025, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que a violência se espalhou por novas regiões. O Comando Vermelho, por exemplo, passou de 128 para 286 cidades entre 2023 e 2025, enquanto o PCC concentrou esforços no controle de áreas consideradas estratégicas. A disputa entre facções tem impacto direto na segurança, no comércio, no transporte, nos serviços públicos e na vida de moradores que convivem com medo e instabilidade.
Além da violência, a corrupção voltou a crescer como preocupação central. O tema aparece na cabeça de 39% dos brasileiros e registrou alta expressiva em relação ao ano anterior. O escândalo envolvendo o Banco Master, que colocou no noticiário agentes públicos, políticos de diferentes campos ideológicos, servidores, órgãos reguladores e figuras do Judiciário, ajudou a manter o assunto em evidência.
A combinação entre criminalidade e corrupção cria um ambiente de desconfiança. Para parte da população, a presença do crime organizado na economia formal e a suspeita de relações entre setores financeiros, agentes públicos e grupos de interesse ampliam a percepção de que o país enfrenta problemas estruturais difíceis de resolver no curto prazo.
A pobreza e a desigualdade social aparecem em terceiro lugar, com 36% das menções. Embora indicadores econômicos apontem crescimento do PIB e queda no desemprego, o brasileiro ainda sente dificuldade no orçamento doméstico. O endividamento das famílias, os preços do dia a dia e a sensação de que a renda não acompanha as despesas mantêm o tema como uma preocupação permanente.
O levantamento também mostra um retrato negativo sobre o humor nacional. De acordo com a Ipsos, 62% dos brasileiros acreditam que o país caminha na direção errada. Além disso, 64% avaliam a situação econômica como ruim. Esses números indicam que a percepção da população não depende apenas de dados macroeconômicos, mas também da realidade concreta vivida nas casas, nos bairros, no transporte, no comércio e no trabalho.
No cenário global, o quadro é diferente. A inflação aparece como a maior preocupação, citada por 33% dos entrevistados. Em seguida vêm crime e violência, com 31%, e pobreza e desigualdade social, com 28%. As guerras entre países aparecem na sétima posição entre as preocupações globais, com 19%. No Brasil, apenas 6% dos entrevistados citaram esse tema como fonte de preocupação.
A diferença entre o Brasil e o restante do mundo mostra como a pauta interna segue dominada por problemas antigos, mas ainda sem resposta convincente para a população. A violência urbana, a atuação de facções, a corrupção e a dificuldade econômica formam um conjunto de temas que tende a pressionar candidatos, partidos e governos durante o processo eleitoral.
Para o eleitor, a eleição de 2026 deve ser atravessada por uma cobrança clara: propostas concretas para segurança, combate à corrupção e melhoria das condições de vida. O desafio dos candidatos será apresentar respostas que saiam do discurso genérico e consigam dialogar com uma população que demonstra cansaço, desconfiança e medo.
Em cidades da Grande São Paulo, como Itapevi, Barueri, Jandira, Osasco e região, essa percepção também encontra eco no cotidiano. Segurança pública, custo de vida, oportunidades de trabalho e qualidade dos serviços seguem entre os assuntos que mais afetam a rotina das famílias. Mesmo quando a pesquisa trata do cenário nacional, os reflexos aparecem diretamente no debate local.
A partir desses dados, a eleição presidencial tende a ser disputada em torno de temas muito concretos. O brasileiro quer segurança, estabilidade, renda e instituições confiáveis. O levantamento mostra que a população observa o país com cautela e cobra respostas em áreas que influenciam diretamente sua vida diária.
