Campanha realizada em abril mobilizou serviços de saúde, empresas e sindicatos para ampliar a prevenção de acidentes, doenças ocupacionais e riscos no ambiente profissional
Por Redação
03/05/2026 às 14h18
O mês de abril foi marcado em Barueri por ações voltadas à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. A mobilização fez parte da campanha Abril Verde, que chama atenção para a importância de ambientes profissionais mais seguros, saudáveis e preparados para reduzir riscos à integridade física e mental dos trabalhadores.
A data central da campanha é 28 de abril, Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho. O período busca estimular empresas, órgãos públicos, sindicatos, profissionais da saúde e trabalhadores a olharem com mais atenção para situações que podem gerar acidentes, afastamentos, adoecimento e mortes evitáveis.
Em Barueri, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, em parceria com o Departamento Técnico de Medicina e Segurança do Trabalho da Secretaria de Administração, realizou atividades de conscientização ao longo do mês. As ações envolveram orientações técnicas, circulação de materiais informativos e divulgação de práticas preventivas adotadas no município.
A campanha Abril Verde é promovida nacionalmente pelo Ministério Público do Trabalho. A cor verde foi escolhida por simbolizar a vida e por estar ligada à segurança e saúde no trabalho. O objetivo é lembrar que a prevenção não deve aparecer somente depois de uma ocorrência grave. Ela precisa fazer parte da rotina das empresas, dos serviços públicos e de todos os ambientes laborais.
Uma das atividades realizadas em Barueri ocorreu no dia 27 de abril, quando profissionais das Unidades Básicas de Saúde participaram de uma atualização sobre acidentes com materiais biológicos. A formação foi conduzida pelo Departamento Técnico de Análise da Situação Epidemiológica, ligado à Coordenadoria de Vigilância em Saúde.
Esse tipo de acidente é uma preocupação constante nos serviços de saúde. Profissionais que lidam com sangue, secreções, instrumentos perfurocortantes e outros materiais biológicos precisam seguir protocolos rígidos para reduzir riscos de contaminação. A atualização técnica ajuda as equipes a reconhecerem situações de perigo, adotarem condutas corretas e registrarem os casos de forma adequada.
As ações de 2026 também envolveram empresas e sindicatos, com envio de materiais informativos e incentivo à adoção de medidas preventivas. A iniciativa amplia o alcance da campanha e coloca a segurança do trabalho como uma pauta que ultrapassa os limites do setor público. Empresas de diferentes áreas também têm responsabilidade direta na identificação de riscos, no treinamento de equipes, no fornecimento de equipamentos de proteção e na correção de falhas no ambiente profissional.
Os números mostram por que o tema exige atenção permanente. Dados do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho de 2023 apontam que o Brasil registrou 732.751 ocorrências naquele ano. A média equivale a 83,65 acidentes de trabalho por hora, ou cerca de 2 mil casos por dia. O volume revela que o problema ainda atinge trabalhadores em grande escala e gera impacto humano, social e econômico.
Acidentes de trabalho não afetam apenas a pessoa diretamente atingida. Eles também alcançam famílias, equipes, empresas e serviços públicos. Um trabalhador acidentado pode enfrentar dor, afastamento, perda de renda, limitações físicas, abalo emocional e dificuldade para retornar à rotina. Em casos graves, as consequências podem ser permanentes ou fatais.
A campanha também chama atenção para as doenças ocupacionais. Nem todo adoecimento relacionado ao trabalho aparece de forma imediata. Lesões por esforço repetitivo, problemas de coluna, perda auditiva, transtornos ligados ao estresse, sofrimento mental, intoxicações, doenças respiratórias e outros quadros podem surgir ao longo do tempo, especialmente quando o trabalhador fica exposto a condições inadequadas.
Por isso, a prevenção exige acompanhamento constante. O uso de equipamentos de proteção individual, conhecidos como EPIs, é uma parte importante desse processo, mas não resolve tudo sozinho. Também é necessário avaliar o ambiente, reorganizar processos, reduzir jornadas exaustivas, orientar equipes, fiscalizar práticas inseguras e criar uma cultura em que o trabalhador consiga apontar riscos sem medo de punição.
A origem do Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho está ligada à homenagem a 78 mineiros mortos em uma explosão nos Estados Unidos, em 1968. A mobilização ganhou força a partir do movimento sindical canadense e, nos anos seguintes, passou a integrar a agenda internacional de debates sobre segurança e saúde no trabalho.
No Brasil, a legislação de segurança do trabalho passou por mudanças importantes a partir da década de 1970. Antes desse período, o enfoque era predominantemente corretivo, com maior atenção às indenizações depois dos acidentes. Com a Portaria nº 3.214/1978 e a criação das Normas Regulamentadoras, conhecidas como NRs, o país avançou para um modelo voltado à gestão de riscos.
As Normas Regulamentadoras definem obrigações para empresas regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho. Elas tratam de temas como uso de EPIs, ergonomia, prevenção de incêndios, trabalho em altura, atividades com máquinas, exposição a agentes químicos, riscos em serviços de saúde e outras situações que exigem controle técnico. O objetivo é estabelecer parâmetros mínimos para proteger trabalhadores em diferentes setores.
Atualmente, o conjunto de normas vigentes orienta empregadores e trabalhadores sobre práticas obrigatórias de segurança e saúde no ambiente laboral. Na prática, essas regras ajudam a transformar a prevenção em procedimento, e não em decisão improvisada. Quando aplicadas corretamente, elas reduzem acidentes, organizam responsabilidades e tornam o ambiente de trabalho menos vulnerável a falhas previsíveis.
Em Barueri, a mobilização do Abril Verde teve papel educativo. Ao envolver unidades de saúde, setores técnicos, empresas e sindicatos, a campanha buscou ampliar o entendimento de que a segurança do trabalhador depende de informação, fiscalização, planejamento e mudança de comportamento. O tema vale para trabalhadores da indústria, comércio, serviços, saúde, educação, construção civil, limpeza, transporte e administração pública.
A saúde mental também aparece como ponto sensível dentro da campanha. Ambientes de trabalho marcados por pressão excessiva, assédio, jornadas desorganizadas, metas inalcançáveis e falta de apoio podem gerar adoecimento psicológico. A prevenção, nesse caso, também passa por gestão responsável, escuta, organização interna e medidas capazes de reduzir situações de desgaste extremo.
O Abril Verde termina no calendário, mas a pauta permanece durante todo o ano. A redução de acidentes e doenças ocupacionais depende de ações contínuas, treinamento frequente e responsabilidade compartilhada. Para o trabalhador, informação pode significar proteção. Para empresas e órgãos públicos, prevenção representa respeito à vida, redução de afastamentos e melhoria das condições de trabalho.
Em uma cidade com forte presença de empresas, serviços públicos e atividades econômicas variadas, Barueri tem na campanha uma oportunidade de ampliar o debate sobre segurança laboral. A mensagem deixada pelo Abril Verde é direta: acidente de trabalho não deve ser tratado como fatalidade quando pode ser evitado com planejamento, orientação e cumprimento das normas.

