Turistas colombianos compraram entradas digitais para uma área supostamente exclusiva em Copacabana; apresentação fazia parte de evento gratuito promovido pela Prefeitura do Rio
Por Redação — 03/05/2026, às 15h22
Um homem de 26 anos foi preso na noite de sábado, 2 de maio, suspeito de vender ingressos falsos para o show gratuito da cantora Shakira, realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, quatro turistas colombianos pagaram R$ 6 mil ao todo por supostas entradas “VIPs”, com promessa de acesso a espaços exclusivos para assistir à apresentação.
Cada ingresso teria sido vendido por R$ 1,5 mil. O problema é que o evento Todo Mundo no Rio, que levou Shakira à Praia de Copacabana, era gratuito. A apresentação integrou uma ação promovida pela Prefeitura do Rio e não exigia compra de ingresso para o público acompanhar o show na orla.
De acordo com as informações divulgadas, o suspeito oferecia os acessos em formato digital e prometia aos compradores cortesias e uma área diferenciada. As vítimas, duas mulheres e dois homens colombianos, perceberam que haviam sido enganadas e procuraram policiais civis que faziam patrulhamento na Avenida Atlântica.
Após o relato dos turistas, os agentes conseguiram identificar e prender o suspeito. Ele foi levado à delegacia e autuado por estelionato. Os turistas foram encaminhados à Delegacia Especial de Atendimento ao Turista, onde prestaram informações para as diligências do caso.
O episódio chama atenção pela exploração de um evento de grande repercussão. Shows internacionais em áreas abertas costumam atrair turistas, fãs de outros estados e vendedores oportunistas. Em meio à movimentação intensa, pessoas que não conhecem a dinâmica do evento podem acabar acreditando em ofertas falsas, principalmente quando o golpe usa termos como “VIP”, “cortesia exclusiva”, “acesso premium” ou “área reservada”.
No caso do show de Shakira, a situação tinha um agravante evidente: a apresentação era gratuita. Mesmo assim, o suspeito teria conseguido convencer os turistas de que havia ingressos especiais à venda. Esse tipo de abordagem costuma se aproveitar da ansiedade do público, da dificuldade de verificar informações no momento e da busca por uma experiência melhor em eventos lotados.
A prisão também serve de alerta para quem pretende viajar para grandes shows, festivais, jogos e eventos públicos. A orientação básica é verificar sempre os canais oficiais do evento, da prefeitura, da produtora ou da plataforma autorizada de venda. Quando a apresentação é gratuita, qualquer cobrança por ingresso deve ser vista com desconfiança, principalmente se a negociação ocorrer por mensagens privadas, redes sociais ou vendedores sem identificação.
Outro ponto importante é evitar pagamentos via transferência direta, Pix para pessoa física desconhecida ou links enviados por terceiros. Mesmo quando há promessa de ingresso digital, o comprador deve conferir se o endereço eletrônico pertence a uma plataforma oficial. Prints, QR Codes avulsos e arquivos enviados por mensagem podem ser falsificados com facilidade.
O caso também mostra a vulnerabilidade de turistas estrangeiros em eventos de massa. Pessoas de fora do país podem ter mais dificuldade para entender regras locais, identificar canais oficiais ou desconfiar de abordagens feitas em português ou espanhol informal. Por isso, a atuação de equipes de patrulhamento, orientação turística e atendimento especializado se torna ainda mais relevante em eventos com grande fluxo internacional.
Em Copacabana, a movimentação para o show de Shakira reuniu grande público e exigiu esquema reforçado de segurança, limpeza e organização. A presença de turistas colombianos era esperada, já que a cantora nasceu na Colômbia e tem forte ligação com o público latino-americano. Esse ambiente, porém, também cria oportunidade para práticas criminosas contra fãs e visitantes.
A investigação deve apurar como o suspeito abordava as vítimas, se atuava sozinho ou com apoio de outras pessoas, e se outros turistas também foram enganados. Até o momento, a informação principal é que o homem foi preso após o grupo colombiano acionar os policiais na orla.
Para o público, a principal lição é simples: evento gratuito não tem ingresso pago. Caso exista algum setor especial, camarote ou área restrita, a informação precisa estar nos canais oficiais e em plataformas reconhecidas. Fora disso, a chance de golpe é alta.
O episódio no Rio reforça um problema recorrente em grandes eventos: a venda irregular de acessos, pulseiras, QR Codes e supostas vantagens exclusivas. Em muitos casos, o comprador só descobre o golpe na entrada do evento ou quando tenta validar o ingresso. Quando isso acontece, a recomendação é procurar imediatamente a polícia, guardar comprovantes de pagamento, mensagens, nomes de perfis, telefones e qualquer informação que possa ajudar na identificação do suspeito.
A prisão em Copacabana ocorreu rapidamente porque as vítimas buscaram ajuda no local e os agentes conseguiram localizar o homem apontado na denúncia. Em situações semelhantes, a rapidez no acionamento das autoridades pode ser decisiva para recuperar parte das informações e impedir que outras pessoas sejam enganadas.
