Escândalo no SAMU coloca saúde de Itapevi na mira do Ministério Público

Após reportagem apontar médicos fora da base durante plantões, Prefeitura afasta profissionais e caso aumenta cobrança por fiscalização na rede municipal

por Redação
3 de junho de 2026, às 11h01

A saúde pública de Itapevi voltou ao centro das cobranças após denúncias envolvendo médicos lotados no SAMU. O caso ganhou repercussão depois de reportagem do SBT apontar que profissionais teriam deixado a base durante o expediente, mesmo em período de plantão. As imagens e relatos levantaram suspeitas sobre falhas no controle de presença, na organização das escalas e na fiscalização interna do serviço de urgência.

Segundo as denúncias, um clínico geral teria deixado a base do SAMU sem substituição, enquanto uma médica teria sido filmada fora da unidade durante boa parte do horário de trabalho. Funcionários ouvidos nas reportagens afirmaram que os episódios não seriam isolados e relataram possível rotina de saídas durante plantões. A situação colocou a gestão municipal sob pressão, principalmente porque o SAMU atende ocorrências de urgência e emergência, serviço em que a ausência de profissionais pode comprometer diretamente o atendimento à população.

A Prefeitura de Itapevi informou que afastou os dois médicos citados na reportagem. Outros dois funcionários e o coordenador regional do SAMU também foram afastados de suas funções. De acordo com a administração municipal, a investigação interna deve ser concluída em até 30 dias, com direito de defesa aos envolvidos. A Prefeitura também declarou que outros médicos seriam remanejados para evitar prejuízo no atendimento.

O caso entrou no radar do Ministério Público e pode abrir uma discussão maior sobre a forma como a saúde municipal vem sendo fiscalizada. A apuração não deve se limitar apenas à conduta individual dos profissionais. A principal pergunta agora é como plantões considerados essenciais puderam ficar sob suspeita sem que o controle interno identificasse o problema antes da denúncia pública.

O SAMU funciona 24 horas e é acionado pelo telefone 192, por meio de uma central de regulação de urgências. Na própria estrutura oficial da Prefeitura, o serviço é descrito como atendimento gratuito, com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, condutores e socorristas. Por isso, qualquer falha na escala ou na permanência de profissionais durante o plantão exige resposta rápida, transparente e documentada.

A gestão do prefeito Teco passou a enfrentar cobrança direta por medidas concretas. Após a repercussão, o prefeito anunciou afastamentos e realizou visitas surpresa em unidades de saúde, incluindo pronto-socorros, prontos atendimentos e a base do SAMU. A ação, no entanto, não encerra o problema. Para moradores e críticos da administração, o ponto central é saber se a cidade possui mecanismos eficientes para controlar presença, produtividade, escala médica e continuidade do atendimento.

Também será necessário esclarecer se houve falha pontual, omissão de chefias, erro de fiscalização ou problema estrutural na organização dos plantões. Em serviços de emergência, a ausência de um profissional não afeta apenas a rotina administrativa. Pode atrasar atendimentos, sobrecarregar equipes e gerar risco para pacientes em situação grave.

Os profissionais citados nas denúncias ainda têm direito de defesa, e a apuração deve definir responsabilidades. Mesmo assim, o episódio já expõe a fragilidade de um sistema que deveria funcionar com controle rígido. A população de Itapevi espera respostas objetivas: quem fiscalizava as escalas, quem acompanhava os plantões, quais medidas serão adotadas e como a Prefeitura pretende impedir que casos semelhantes voltem a ocorrer.

A saúde municipal não pode depender de flagrantes externos para corrigir falhas internas. A investigação precisa mostrar se houve abandono de plantão, negligência administrativa ou deficiência na gestão do serviço. Até lá, a cobrança pública deve continuar, principalmente porque o tema envolve uma área sensível: o atendimento de urgência para quem mais precisa do poder público.

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