Disputa envolve strike no YouTube, direito autoral, uso de imagem e vídeos de crítica; defesa da influenciadora afirma que ela foi alvo de ataques e perseguição digital
por Redação — 7 de maio de 2026, às 3h45
A disputa envolvendo a influenciadora Carol Capel, o criador conhecido como Biólogo Henrique e o canal Não Adivinho, de Marcelo Milos, ganhou um novo capítulo nas redes sociais. Em vídeo publicado recentemente, Marcelo afirmou que também foi processado por Carol Capel após comentar o caso envolvendo a influenciadora e o biólogo.
Segundo Marcelo Milos, o canal Não Adivinho havia acompanhado a controvérsia depois que Carol Capel aplicou um strike contra o Biólogo Henrique no YouTube. O youtuber disse que seu canal também recebeu uma notificação relacionada ao caso e que, agora, a disputa teria chegado oficialmente à Justiça.
“Fomos processados também pela Carol Capel”, afirmou Marcelo, ao atualizar seus seguidores sobre o episódio. No mesmo vídeo, ele disse que o strike ficaria em uma espécie de espera até que o caso avance judicialmente e haja uma avaliação sobre eventual violação de direitos autorais.
A controvérsia começou após um vídeo em que Carol Capel comentou uma informação relacionada a chimpanzés e ao consumo de álcool a partir de frutas fermentadas. O Biólogo Henrique, que produz conteúdo de divulgação científica, publicou um vídeo questionando pontos da abordagem feita pela influenciadora. Depois disso, segundo a versão apresentada por criadores que acompanham o caso, Carol teria acionado ferramentas de direito autoral da plataforma contra o conteúdo.
A partir desse episódio, o debate passou a envolver diferentes pontos: direito autoral, direito de imagem, liberdade de expressão, uso de trechos de vídeos em conteúdos de comentário, responsabilidade de influenciadores e limites da crítica pública na internet.
De um lado, Marcelo Milos e outros criadores que comentaram o caso defendem que os vídeos publicados tinham caráter de crítica, comentário e discussão pública. Para esse grupo, o conteúdo produzido sobre Carol Capel não teria como finalidade copiar ou explorar indevidamente sua obra, mas comentar um tema que já estava em circulação nas redes sociais.
Na visão desses criadores, quando uma pessoa publica uma informação para uma grande audiência, especialmente sobre um tema que envolve ciência, outros comunicadores podem questionar, responder e apresentar interpretações diferentes. Eles também afirmam que o uso de trechos ou menções ao conteúdo original pode ser parte de vídeos de análise, desde que exista contexto, comentário próprio e finalidade informativa.
Do outro lado, apoiadores de Carol Capel argumentam que o direito de crítica não elimina a necessidade de respeitar imagem, nome e conteúdo de terceiros. Em manifestações nas redes, usuários favoráveis à influenciadora dizem que seria possível corrigir uma informação sem usar diretamente a imagem ou o nome da pessoa criticada. Também afirmam que ganhar audiência ou dinheiro com conteúdo baseado na imagem de outra pessoa, sem autorização, pode gerar questionamentos legais.
Essa linha de defesa sustenta que vídeos de reação, comentários e análises sobre publicações de terceiros precisam observar limites. Para esse grupo, o problema não estaria necessariamente em discordar de Carol Capel, mas na forma como o conteúdo dela teria sido usado por outros canais.
A defesa de Carol Capel também se manifestou publicamente. Em pronunciamento, o advogado Evandro Melo afirmou representar Caroline Siqueira da Capel e disse que medidas legais estavam sendo tomadas diante do que classificou como uma campanha de ataques e perseguição digital contra sua cliente.
Segundo o advogado, Carol teria exercido um direito autoral legítimo ao utilizar uma ferramenta disponibilizada pela própria plataforma. Ele também afirmou que a conduta da influenciadora teria sido reconhecida em decisão liminar como legal. A defesa declarou ainda que Carol teria sido alvo de ameaças, calúnia, difamação, injúria e perseguição, além de denúncias em massa que teriam resultado na derrubada de um de seus canais no TikTok.
No pronunciamento, Evandro Melo também afirmou que os ataques contra Carol ultrapassariam o debate legítimo e atingiriam sua honra, imagem e atividade profissional. A defesa tratou o caso como um episódio de violência digital, inclusive com motivação de gênero, e informou que as condutas consideradas ilegais estão sendo documentadas e encaminhadas juridicamente.
A versão apresentada pela defesa, portanto, difere da leitura feita pelos criadores que criticaram os strikes. Enquanto Carol Capel e seus representantes sustentam que houve exercício regular de direitos e reação a ataques, os youtubers envolvidos afirmam que os conteúdos publicados estavam dentro do campo da crítica e do comentário público.
O YouTube permite denúncias de violação de direitos autorais, mas a aplicação de strikes em vídeos de análise costuma gerar debate, principalmente quando o conteúdo questionado envolve crítica, resposta ou discussão sobre assuntos de interesse público.
Um strike pode afetar a rotina de um canal, limitar recursos e gerar risco para criadores que dependem da plataforma. Ao mesmo tempo, criadores que têm seu conteúdo utilizado por terceiros podem buscar proteção quando entendem que houve uso indevido de imagem, nome, vídeo ou obra protegida.
A análise sobre quem tem razão depende do conteúdo específico de cada vídeo, da forma como os trechos foram utilizados, do contexto da publicação, da finalidade do material e do entendimento jurídico sobre o caso. Por isso, a disputa ainda deve depender de avaliação judicial e de eventuais manifestações formais das partes envolvidas.
Até o momento, a informação mais recente divulgada publicamente por Marcelo Milos é a de que o canal Não Adivinho também teria sido processado por Carol Capel. A defesa da influenciadora, por sua vez, afirma que as medidas legais buscam proteger sua cliente de ataques, uso indevido de conteúdo e perseguição digital.
A controvérsia segue dividindo opiniões. Para apoiadores de Carol, a influenciadora está defendendo seus direitos diante do uso de sua imagem e de ataques nas redes. Para os criadores que comentaram o caso, a disputa levanta preocupação sobre o uso de strikes e processos contra vídeos de crítica, análise e correção pública.
Sem uma decisão final conhecida sobre todos os pontos discutidos, o caso permanece em andamento e deve continuar sendo acompanhado por usuários, criadores de conteúdo e pessoas interessadas em direito digital.
