Mais de 20 famílias afirmam viver uma rotina de perturbação do sossego, som alto, insegurança e falta de resposta efetiva da Prefeitura
Por Redação
Itapevi, 5 de julho de 2026
Mais de 20 famílias da Rua das Plantas, em Itapevi, procuraram a Gazeta de Itapevi para denunciar uma situação que, segundo os moradores, se tornou insustentável. O grupo afirma conviver há meses com episódios recorrentes de perturbação do sossego, gritos, agressividade, acionamentos da Guarda Municipal e do SAMU, além de uma crescente sensação de medo e abandono diante da falta de uma solução definitiva.

De acordo com os relatos, o principal foco de preocupação hoje envolve uma moradora da própria rua, cuja identidade será preservada pela reportagem. Segundo as famílias, os transtornos são constantes e incluem música em volume abusivo, gritos, provocações, comportamento agressivo e situações que, na avaliação dos vizinhos, colocam em risco tanto a segurança da própria moradora quanto a dos moradores do entorno.
A Gazeta de Itapevi também preserva a identidade dos moradores que encaminharam os relatos, diante do temor de represálias informado pelo grupo.
Os moradores fazem questão de esclarecer que há, sim, incômodos pontuais relacionados a uma adega localizada na região, principalmente em razão da concentração de carros e motos em frente ao estabelecimento, com som automotivo em volume alto em determinados momentos. No entanto, segundo o grupo, a adega não é hoje o principal problema enfrentado pela comunidade.
Ainda conforme os relatos, o som ligado ao estabelecimento costuma ser ambiente e, na maior parte das vezes, com músicas como pagode e sertanejo. A reclamação mais frequente, nesse caso, estaria relacionada a veículos que param nas proximidades com som alto, gerando transtorno aos moradores. A principal preocupação das famílias, porém, está concentrada nos episódios recorrentes envolvendo a moradora citada pelos vizinhos.
Segundo as famílias, a situação atinge diretamente idosos, crianças pequenas, pessoas acamadas, moradores com necessidades especiais, trabalhadores que cumprem jornada noturna e precisam descansar durante o dia, além de profissionais que trabalham em home office e não conseguem manter a rotina dentro da própria casa.
“Não conseguimos descansar, trabalhar ou conviver em nossas casas com dignidade”, relataram os moradores. O grupo afirma que há famílias que já não conseguem assistir televisão, conversar, dormir, participar de reuniões de trabalho ou ter um momento simples de descanso sem serem interrompidas pelo barulho e pela tensão constante.
A situação, de acordo com os moradores, já deixou de ser apenas uma questão de incômodo sonoro. As famílias relatam desgaste físico e emocional após meses de tentativas de diálogo, pedidos de ajuda, acionamentos da Guarda Municipal, contatos com vereadores e solicitações a representantes da Prefeitura.
Os moradores afirmam que a Guarda Municipal já foi acionada diversas vezes. Em algumas ocasiões, viaturas teriam comparecido ao local, mas, segundo o grupo, a situação voltava a se repetir depois. Também há relatos de acionamento do SAMU, diante de episódios em que os moradores consideraram haver risco à segurança da própria moradora e de terceiros.
Para a comunidade, o caso exige uma resposta integrada do poder público. As famílias defendem que a Prefeitura de Itapevi, a Guarda Municipal, a fiscalização, a assistência social, a saúde e demais órgãos competentes atuem de forma coordenada, não apenas em ações pontuais, mas com acompanhamento contínuo da situação.
O grupo afirma que não busca conflito, exposição indevida ou perseguição contra ninguém. O pedido dos moradores é por providências efetivas, com respeito ao direito ao sossego, à segurança e à qualidade de vida das famílias que vivem na Rua das Plantas.
Um vereador tentou intervir na situação e foi até o local para conversar com a moradora e com responsáveis pela adega. Em áudio encaminhado ao grupo de moradores, o parlamentar afirmou que não foi ao endereço para defender nenhuma das partes, mas para orientar sobre a perturbação do sossego e alertar sobre possíveis medidas administrativas.
Segundo o vereador, caso o problema persistisse, a situação poderia deixar de ser apenas uma notificação e passar para autuação, com multa que, conforme informado por ele aos moradores, poderia variar de R$ 2 mil a R$ 5 mil. Em outro áudio, o parlamentar afirmou que a moradora teria se comprometido a reduzir o som para nível ambiente. Ele também disse que conversaria novamente com o responsável pela adega.
Mesmo assim, os moradores afirmam que a tentativa não resolveu o problema de forma definitiva.
Além do som alto, há relatos de episódios que aumentaram o medo entre as famílias. Segundo os moradores, a moradora citada teria apresentado comportamento agressivo em algumas ocasiões, gritado na rua, provocado vizinhos e sido vista com uma faca nas mãos. Um dos relatos encaminhados à reportagem afirma ainda que ela teria danificado um veículo estacionado na via. As informações são apresentadas como relatos dos moradores e fazem parte do conjunto de denúncias levado ao jornal.
No caso da adega, os moradores reforçam que os transtornos existem em alguns momentos, especialmente quando carros e motos se concentram na frente do comércio com som automotivo em volume elevado. Porém, o grupo destaca que esse ponto não deve desviar o foco da situação considerada mais grave e frequente: os episódios envolvendo a moradora que, segundo as famílias, vêm exigindo acionamentos constantes das autoridades.
A comunidade afirma que já reuniu vídeos, fotos, registros de ocorrências, protocolos de atendimento e mensagens que demonstrariam a sequência dos problemas enfrentados na Rua das Plantas. Parte dos moradores, no entanto, evita aparecer publicamente por medo de represálias.
A cobrança também chegou ao prefeito Teco. Segundo os moradores, representantes da administração municipal foram adicionados ao grupo criado pelas famílias para acompanhar o caso. Ainda assim, o grupo afirma que não recebeu uma resposta concreta capaz de devolver tranquilidade à rua.
Para as famílias, a ausência de uma solução pesa tanto quanto o barulho e a insegurança. A cada novo episódio, cresce a percepção de que os moradores estão sozinhos, obrigados a insistir, gravar vídeos, pedir ajuda e repetir denúncias para tentar garantir um direito básico: viver em paz dentro da própria residência.
A Rua das Plantas, segundo os relatos, vive uma situação limite. Famílias que trabalham, cuidam de crianças, idosos e pessoas doentes afirmam que não conseguem mais manter uma rotina normal. O pedido é simples, mas urgente: fiscalização, acompanhamento social, providências reais e presença efetiva do poder público antes que a tensão aumente e algo mais grave aconteça.
A Gazeta de Itapevi deixa espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Itapevi, da Guarda Municipal, da fiscalização municipal, da adega mencionada pelos moradores, da moradora citada nos relatos e das demais partes envolvidas. Caso haja retorno, a matéria poderá ser atualizada.

