Moradores afirmam que contas estavam pagas, que equipes não compareceram ao local apesar de informarem atendimento, e cobram mais humanidade da concessionária e maior atuação do poder público diante das falhas no serviço essencial
Por Redação
Itapevi, 3 de julho de 2026
Moradores de Itapevi relatam uma situação de desespero envolvendo o atendimento da Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica na cidade. As reclamações incluem desligamentos apontados como indevidos, demora na religação, informações desencontradas, ausência de equipes no local e atendimento considerado frio, burocrático e sem sensibilidade diante de famílias com crianças pequenas, bebês e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Um dos casos mais graves relatados à reportagem envolve Carolina, moradora da Avenida Pedro Paulino, na região da Cohab, em Itapevi. Segundo ela, a energia de seu apartamento foi desligada mesmo com as contas pagas. A moradora afirma que procurou atendimento, ligou diversas vezes para a Enel e chegou a ir pessoalmente à central, mas permaneceu sem solução.
Carolina relata que a concessionária alegou que equipes teriam comparecido ao endereço para realizar a religação, inclusive em horários informados como por volta das 15h e, depois, 23h. No entanto, segundo a moradora, ninguém apareceu no local. Ela afirma ainda que registros das câmeras do condomínio podem comprovar que os técnicos não estiveram no endereço nos horários alegados.
A situação se tornou ainda mais grave porque, conforme relatado por Carolina, havia crianças pequenas no imóvel, incluindo uma bebê recém-nascida, uma criança de dois anos e outra de seis. Sem energia elétrica durante a noite, a família enfrentou dificuldades básicas dentro de casa, inclusive para cuidar das crianças.
“Um pecado eu ficar sem energia com as contas pagas, com minha bebê recém-nascida, um menino de dois aninhos e um de seis”, relatou Carolina em mensagem. Ela também afirmou que foi informada de que poderia ter que pagar pela religação, mesmo sustentando que o corte não deveria ter ocorrido.
O caso expõe uma reclamação recorrente entre moradores: a sensação de abandono diante de um serviço essencial. Energia elétrica não é luxo. É condição mínima para segurança, alimentação, higiene, conservação de medicamentos, cuidado com crianças e funcionamento básico de uma residência. Quando uma família fica sem energia, o impacto não é apenas financeiro ou administrativo. É humano.
Moradores ouvidos pela reportagem também reclamam da falta de transparência nos atendimentos. A principal crítica é que a empresa informa prazos, promete comparecimento, diz que equipes foram ao local, mas, na prática, segundo os relatos, os moradores continuam sem atendimento efetivo.
Esse tipo de ocorrência gera uma dupla angústia: primeiro, pela falta de energia; depois, pela dificuldade de conseguir uma resposta concreta. O cliente fica preso entre protocolos, mensagens automáticas, atendentes que encerram o chamado e promessas de religação que nem sempre se cumprem no prazo informado.
A insatisfação com o atendimento da Enel em Itapevi também aparece em avaliações públicas no Google. A loja de atendimento da concessionária na cidade aparece com nota baixa, de 2,4 estrelas, em um total de 68 avaliações. Entre os comentários, há registros recentes classificando o atendimento como “péssimo”, “muito desorganizado” e com estrutura insuficiente para a demanda.
As avaliações indicam que as queixas não são pontuais nem recentes. Pelo contrário, apontam para um histórico de insatisfação de consumidores que procuram a unidade em busca de solução e saem ainda mais frustrados. Para muitos moradores, a estrutura de atendimento é incompatível com a importância do serviço prestado.
O morador Thiago Turetti também afirma já ter vivido situação extrema envolvendo atendimento da Enel. Segundo ele, em uma das unidades da concessionária, o desgaste, a falta de solução e o tratamento recebido foram tão graves que ele acabou passando mal e precisou de atendimento hospitalar. Para Thiago, o problema não está apenas em uma falha operacional, mas na forma como o consumidor é tratado quando mais precisa de ajuda.
“O serviço é péssimo. A pessoa fica sem energia, sem resposta, sem respeito e ainda precisa provar o tempo todo que está falando a verdade”, afirmou.
O episódio reacende a cobrança por uma atuação mais firme do poder público municipal. Moradores afirmam que se sentem desprotegidos diante de falhas de uma concessionária que presta serviço essencial dentro da cidade. Na avaliação de parte da população, a Prefeitura de Itapevi deveria acompanhar com mais rigor esse tipo de ocorrência, cobrar respostas formais da empresa e criar canais efetivos para receber denúncias de moradores prejudicados.
Embora a responsabilidade direta pelo fornecimento e religação seja da concessionária, a ausência de uma pressão institucional mais forte aumenta a sensação de abandono. Para quem está no escuro, com crianças dentro de casa e sem previsão real de solução, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa a ser uma questão de dignidade.
No caso de Carolina, a família afirma ter todos os comprovantes de pagamento e pretende utilizar os registros de atendimento, mensagens e imagens de câmeras como prova da situação. A moradora também questiona a possibilidade de cobrança pela religação, já que sustenta que o desligamento foi indevido.
Casos como esse mostram que a falha no atendimento não termina quando a luz é religada. O transtorno deixa prejuízos, medo, desgaste emocional e sensação de impotência. Para famílias com crianças pequenas, idosos ou pessoas que dependem de equipamentos elétricos, a demora pode transformar um problema administrativo em uma situação de risco.
A Gazeta de Itapevi deixa espaço aberto para manifestação da Enel sobre os relatos apresentados, os procedimentos adotados em casos de desligamento indevido, a cobrança de religação, os prazos de atendimento e a estrutura disponibilizada aos moradores de Itapevi.
Enquanto isso, moradores seguem cobrando respeito, transparência e humanidade. Porque quando uma família está com as contas pagas e mesmo assim fica sem energia, sem atendimento e sem resposta, o problema deixa de ser apenas uma falha de serviço. Passa a ser um retrato de descaso.

