Eleitores acusam Marcos Pontes de medo após ausência em votação sobre Jorge Messias

Senador tentou justificar a falta de voto contra o indicado de Lula ao STF, mas a explicação foi considerada fraca por apoiadores

Por Redação — 2 de maio de 2026, às 23h40

O senador Astronauta Marcos Pontes, eleito por São Paulo pelo PL, virou alvo de uma forte reação de eleitores após não votar contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A votação no Senado terminou com a rejeição do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. Pontes apareceu entre os senadores que não participaram da votação, ao lado de Wilder Morais, Cid Gomes e Oriovisto Guimarães.

A ausência provocou cobrança imediata porque a votação tinha grande peso político para a oposição. Jorge Messias, advogado-geral da União, era o nome escolhido por Lula para ocupar uma vaga no STF. A rejeição no Senado representou uma derrota rara para o governo federal e teve repercussão nacional. Segundo a Veja, foi a primeira vez em mais de 130 anos que o Senado rejeitou uma indicação ao Supremo.

O problema político para Marcos Pontes nasceu justamente nesse contexto. Parte dos eleitores de direita esperava que o senador paulista votasse “não” contra Messias. Como isso não ocorreu, apoiadores passaram a acusá-lo de omissão, medo e falta de firmeza em uma votação considerada decisiva.

A crise aumentou depois que Pontes tentou explicar sua posição. Em publicação própria, o senador afirmou ser contra o voto secreto no Senado e defendeu que, em votações desse tipo, registrar presença e não votar poderia ser uma forma de mostrar que o parlamentar não contribuiu com votos favoráveis. No texto, Pontes sustentou que “a única forma de garantir que meu voto não foi ‘SIM’ é não votar”.

A justificativa, porém, foi recebida como fraca por muitos eleitores. Nos comentários, apoiadores disseram que o senador tentou criar uma tese para explicar uma ausência que, para eles, não tinha defesa política. A cobrança foi direta: se Pontes era contra Jorge Messias, deveria ter votado contra.

Entre as reações, um eleitor escreveu: “Se quisesse dizer não, votaria não! Simples assim”. Outro questionou: “Existe o voto ‘NÃO’ pra que então?”. Houve também ironia contra a explicação sobre o painel do Senado: “O sistema só computa votos ‘sim’? E os 42 ‘não’, são o quê?”. As mensagens mostram que parte da base não aceitou a tentativa de transformar a falta de voto em gesto de transparência.

A crítica também entrou no campo da coragem política. Alguns seguidores afirmaram que Pontes teria recuado por medo de reação do STF ou de desgaste institucional. Um comentário resumiu a cobrança com a pergunta: “Amarelou, por quê?”. Outro foi ainda mais direto: “Postura fraca. É não e pronto”. Para esse grupo, a ausência não comunicou transparência. Comunicou medo.

O desgaste ficou mais forte porque Marcos Pontes foi eleito com apoio expressivo de eleitores conservadores em São Paulo. Filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador construiu sua imagem pública ligada ao campo da direita e à oposição ao governo Lula. Por isso, a base esperava uma posição objetiva contra o indicado do presidente ao Supremo.

A reação nas redes também teve tom eleitoral. Um seguidor escreveu: “O meu voto no senhor não foi abstenção, foi sim. Na próxima será não”. Outro afirmou que, na reeleição, Pontes já teria o seu “não”. Houve ainda mensagens de ruptura, como “deixando de seguir” e “tchau, querido”, sinal de que a irritação ultrapassou a discordância pontual.

A explicação apresentada pelo senador também foi questionada antes da votação. A Revista Oeste registrou que Pontes havia sugerido a abstenção como forma de marcar oposição a Messias ao STF. Segundo a publicação, o senador defendia que a estratégia permitiria tornar pública a posição contrária mesmo com o sigilo do voto.

A Veja também publicou que Pontes havia ensinado uma forma de “burlar” o voto secreto em decisão do Senado sobre Messias. A tese era simples: em uma votação secreta, o parlamentar poderia declarar que era contra, mas votar a favor sem que o eleitor soubesse. Para Pontes, deixar o voto em branco ou não registrar voto seria uma maneira de mostrar que não ajudou na aprovação.

A dificuldade é que essa lógica não convenceu a base. Para muitos eleitores, o gesto esperado era menos técnico e mais político: comparecer, votar contra e assumir publicamente a posição. O eleitor comum não avaliou o caso pelo funcionamento do painel eletrônico. Avaliou pelo resultado prático. E o resultado prático foi que Marcos Pontes não apareceu entre os votos contrários a Jorge Messias.

Esse ponto explica por que a justificativa piorou a situação. Ao tentar detalhar uma estratégia contra o voto secreto, o senador abriu margem para uma interpretação negativa. Parte dos apoiadores passou a entender que ele buscou uma saída intermediária em uma votação que exigia clareza. Em temas de alto impacto para a direita, posições intermediárias costumam gerar custo político.

A rejeição de Jorge Messias ao STF foi tratada por oposicionistas como uma vitória relevante contra o governo Lula. O placar de 42 votos contrários mostrou força suficiente para barrar a indicação. Nesse cenário, a ausência de um senador do PL eleito por São Paulo ganhou peso simbólico. Para a base conservadora, não bastava ser contra em discurso. Era preciso votar contra no plenário.

Pontes tentou sustentar que sua postura demonstrava coerência com a crítica ao voto secreto. O problema é que seus eleitores cobraram outro tipo de coerência: a coerência entre o discurso de oposição e a atitude prática na votação. Essa diferença entre a explicação do senador e a expectativa da base transformou o caso em crise.

A frase “abstenção não é protesto” apareceu entre as críticas e resume o sentimento de parte dos apoiadores. Um eleitor escreveu que abstenção seria “silêncio conveniente”. Outro ironizou: “Neutro é o detergente aqui de casa”. A mensagem política, para esses eleitores, foi clara: neutralidade ou ausência não serviam em uma votação contra um indicado de Lula ao STF.

Do ponto de vista eleitoral, o episódio deixa uma marca para Marcos Pontes. A cobrança não veio apenas de adversários políticos. Veio também de pessoas que afirmam ter votado nele e que se identificam com o campo conservador. Quando a crítica nasce dentro da própria base, o desgaste tende a ser mais difícil de administrar.

O caso também revela uma mudança no comportamento de parte do eleitorado de direita. A base cobra alinhamento público, voto nominal quando possível e postura sem margem para ambiguidade em pautas consideradas sensíveis. Mesmo em votação secreta, o eleitor quer sinais objetivos. No caso de Jorge Messias, Pontes tentou apresentar uma saída técnica. Seus críticos viram omissão.

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